Sábado, 3 de Janeiro de 2009

Sinto

Sinto a palavra escura, o sentimento nobre da solidariedade, as imagens de fantasia que voam em meu redor, de um mundo perdido, de um mundo como o de Fantasia, Mordor, ou outros terrenos já imaginados. Duendes, espadas mágicas e lendas soberbas. Sinto esses mundos e apetece-me desenhá-los, cantá-los, apenas para os mostrar a alguém. Quero expressar o fantástico cá dentro, cá fora, mas com alguma intenção realmente nobre... pergunto-me. Quero apenas fugir á realidade? Criar um qualquer projecto megalómano como já muitos o fizeram? De que serve o esforço da palavra exprimida quase intuitivamente, pergunto-me. Qual é o meu real valor penso, enquanto penso no valor de quem já o fez, e no valor que se deram.

Se já tanto se pensou, tanto se disse e ainda tanto por fazer. Ou será um ciclo infinito de pensamentos, gritos, murmúrios, e actos? Como uma bola de neve.

Os egípcios davam á palavra "magia" um significado diferente, para eles um acto mágico era pensar o pensamento correcto, dizer a palavra correcta e fazer a coisa correcta.

E pergunto-me, será que alguém doente ou simplesmente mau, como o foram muitos artistas ou considerados génios desta nossa sociedade, se alguma dessas pessoas contribuiu de forma positiva, só porque conseguiram arrancaram algumas palavras, imagens ou pensamentos surpreendentes pelo menos. E com que custo?

Não sei por onde ando, mas não estou lá, apenas observo, ao longe e com a mão junto ao ouvido.

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Natal

Natal

Natal. Na província neva.
Nos lares aconchegados
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Por isso tenho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Fernando Pessoa

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Porcelana

Há quem não acredite, mas a verdade é que dor de amor é uma dor física. Um nó na garganta que irradia para o peito e faz perder a respiração. E você faz tudo para evitar isso.

Aí é curioso ver o o sentimento redutor que nos assola depois de um coração partido. Tudo passa a ser simples até demais. Prático. Banal. Preto e branco. Porque você já se viu partida em tantos pedaços que acha que não tem conserto possível. Então, que nem num vaso de porcelana, você cola os seus caquinhos e finge que está tudo bem.

Só que vai ter sempre aquele pedacinho que não vai encaixar, que não vai colar. Até que aparece alguém com um vaso novo, mais bonito ainda e faz você esquecer de todas as cicatrizes do passado.

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Vampiro falhado

Sinto falta do calor, dos afectos

E apesar de me divertir sozinho

Ou com amigos na palhaçada

Sinto a falta do calor.

 

Sinto-me como um menino sem mãe, um órfão

Sinto falta de afectos, carinho e mimos

Não tenho vergonha de dizer…

E com esse sentimento vem uma sensação de impotência

 

Como que fosse impossível desviar o espaço

Evitando assim o que já está determinado

Como que todo o determinismo determinasse isso mesmo

Confusão e caos, meticulosamente ordenado.

 

A bola de neve começou a rolar á muito tempo

E rola e rola…e ou rolas com ela...

Tenho fome de vampiro que quer sugar o universo

Mas tenho estômago de passarinho.

 

Para onde vou, de onde venho e todas essas perguntas assombram

E parece que se ouve um riso cavernoso na sala ao lado

A vida é uma cena marada

E não tens outro remédio senão rolar com ela.

 

Sinto que não estou preparado,

Não tenho vontade de te aturar Mulher

E só de pensar no trabalho que me ias dar

Para alem de todas as outras coisas…

 

No entanto sei que caminho na tua direcção,

Ou então tu caminhas na minha,

Como um lobo que uiva ao longe

Só sei que os caminhos se irão cruzar.

 

Mas até lá sinto-me só

Resistindo á tentação do álcool

Esse néctar que faz esquecer a dura realidade

E até lá aguento-me, refugiando-me em tocas alheias.

 

Mas o mimo alheio não perdura,

E não me deixo cair na tentação de alguma fantasia

Vou sofrendo um sofrimento leve, silencioso

Como alguém que sabe que tem de ser.

 

Como dizia o poeta, o verdadeiro,

A vida só é boa porque tem sofrer, tem chorar

E por mais que me custe dizer, parece-me meio pimba

Ou algo superficial, ou careta mesmo

 

A vida só é boa quando se aceita o sofrimento de braços abertos

Mas eu ainda sou um passarinho sem força para abrir os braços

Com medo que me espetem o dedo no sovaco

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Eu não acredito em histórias de amor com final feliz.

Simplesmente porque o amor não tem fim.

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Entre safras

Uma coisa que nunca dá certo é aquele namoro "entre safras". Começar uma relação com alguém para esquecer outra pessoa é destinar o namoro ao fracasso. Não tem jeito.

Você vai culpar o actual pelos erros do ex. Tudo que o actual fizer será comparado ao ex. Não dá para levar um relacionamento com uma sombra pairando atrás.

Simplesmente não dá.

Sábado, 1 de Novembro de 2008

No outro dia

Estou aqui disponivel
tranquilamente sentado
e envolto no cobertor
esfrego os pes para aquecer
e divertido vou pensando
os olhos passeiam pela sala
vivos

sinto partes de mim há muito perdidas voltarem como um parente que esteve fora muitos anos e que só com algum esforço se reconhece. Conversa-se, contam-se as novidades, observa-se as diferenças, a experiencia adquirida em lugares longínquos.
estranha esta felicidade, pois nao fiz nada de especial, esta paz diária. Quase incrédulo penso como é possivel? Por vezes vem a duvida, mas as coisas são o que são e só não o são quando a ilusão toma conta. A tv desligada, rádio, musica, livros fechados. Eu comigo mesmo, sem vontades descabidas, oiço os pássaros, e a mim mesmo, o sensato e o insensato. É necessário estar atento. Num outro dia estaria a suspirar, aborrecido, ligava a tv, o dvd ou o cd, abriria um livro qualquer ou mais provavelmente ia para o pc. Tentar de alguma forma satisfazer um desejo que não pode ser satisfeito, preencher um espaço vazio que não pode ser preenchido. Mas hoje talvez, fruto do ontem, não desejo nada. Haverá algo melhor que isso? Dificilmente. Não desejo mulheres, nem paixões nem emoções. Noites frenéticas e barulhentas, nem grandes momentos, pensamentos, conversas, atenção, respeito, carros, dinheiro poder e status, nada. O que não invalida que possamos ter isso tudo, bem pelo contrário, mas quando isso tudo se torna mais importante que o próprio bem estar, quando o apego a todas essas coisas existe, então o sofrimento é maior. E por isso hoje não sofro, hoje aproveito o que tenho. Uma sala, um sofá, claridade, um cobertor, papel e caneta, e a mim...

Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Em caso de dúvida...

... declare-se como os clássicos:

Sinatra - Fly me to the moon



Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like on
Jupiter and Mars

In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me

Fill my heart with song
And let me sing forever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words, I love you

Fill my heart with song
Let me sing forever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words
In other words
I love you